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João Pereira Coutinho

Por Publicado Atualizado

Sou anglófilo, como boa parte da minha geração. Mas essa anglofilia é mais imaginária do que real: a Inglaterra que me interessa existe na minha cabeça âfeita de livros, músicas, arte, filmes e de lugares que pertenceram a outro tempo.
Como dizia Eça de Queirós sobre o “francesismo” dos portugueses, eu também importo tudo: ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, modas e bobagens âque me chegam em caixotes pelo paquete, como nos velhos navios de correio.
A Inglaterra real de hoje é outro planeta: uma sociedade tribalizada, que formou ou acolheu fanáticos antissemitas âe que tolera passeatas que clamam pelo genocÃdio. Amigos judeus me dizem com frequência que já não se sentem seguros em certos lugares do paÃs.
Acredito neles. E confirmo seus temores: o Da

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