Reinaldo José Lopes

Eu e meus colegas da editoria de Ciência da Folha, assim como todo mundo que faz jornalismo cientÃfico neste planeta, estamos numa sinuca de bico. O circo armado nesta semana por Donald Trump e seu secretário de Saúde Robert Kennedy Jr. sobre as origens do autismo e um dos analgésicos mais comuns da Terra é um sintoma desse buraco sem fundo, e, talvez, também um sintoma do que precisamos mudar na maneira como fazemos nosso trabalho.
Digo isso porque, durante muito tempo, tentamos fingir uma indiferença olÃmpica diante do tsunami de chorume que vinha se avolumando à nossa porta. Não querÃamos gastar tempo, esforço e preciosos caracteres cada vez mais escassos para contra-atacar gente que defendia que a Terra só tinha 6.000 anos de idade, que negava a existência de uma crise climÃ
Dizer que alguém está viciado em algo, seja o que for, é muito grave, até porque vício é uma doença que só médico especializado pode diagnosticar e não um crime. Quem está dependente precisa de ajuda e não de julgamento.
Bom, dito isso, vou falar desse tema de uma forma delicada, respeitosa e com conhecimento de causa. É uma grande falta de responsabilidade sair dizendo que alguém é viciado porque uma outra pessoa te falou.
O comportamento de uma pessoa que está dependente ou viciada não é comprovado por um leigo e sim por médicos, através de análises e terapia.
Disseram que o Neymar está viciado em whisky, com energético e jogo de pôquer. Entendam bem: “disseram”.
Quem disse? Foi algum médico? Foi algum psiquiatra? Como pode alguém sair falando que uma outra pessoa é viciada?
Acho que as
Depois do escândalo, a DM9 está nas mãos da senhora Yuri
Os fantasmas de Cannes parecem não querer largar mão da DM9. Cada vez que a agência vira a página, surge um fantasma novo. Uma semana é a senadora americana que processa os donos da agência por sua voz ter sido manipulada. Nesta semana, surgiu que a atriz de uma das campanhas fakes de Cannes feita pela agência é produtora de conteúdos para adultos. Scandal. Mas, a bem da verdade, é preciso dizer que a agência fez uma jogada ousada que poderá mudar sua história (e, se der certo, até o rumo da propaganda) ao entregar sua liderança criativa nas mãos da Yuri Mussoly.
Hoje, além de contar a história da Yuri, eu falo da concorrência da Keeta, que vai chegar para concorrer com o iFood (que é o principal cliente da Yuri), da cerveja Flying F
Nomear a manipulação é desfazer o truque dos novos autoritários
A maneira como as democracias nascem é bem parecida, foi o que eu aprendi até agora. Há sinais, como a pressão popular, e rituais, como as celebrações pelas ruas, perceptíveis e reconhecíveis aos olhos do mundo. Nos dias de hoje, o confuso mesmo é saber o exato momento em que elas se vão.
A estratégia de corroer o Estado de dentro para fora faz a linha entre um dia fazermos parte do jogo e no outro ser apenas a sua plateia algo tênue e borrado.
Se antes eram os decretos escancarados que restringiam direitos em massa e um desfile de tanques na rua, as estéticas mundialmente reconhecidas para um adeus às liberdades individuais e coletivas, à concentração de poder e a banalização das violências contra a própria sociedade, hoje é
A tramitação da PEC 27/2024, que cria um fundo estimado em R$ 20 bilhões para promover a igualdade racial de brasileiros pretos e pardos, avança na Câmara dos Deputados. Uma comissão especial foi criada neste mês e a realização de diversas audiências públicas foram aprovadas com o intuito de discutir seu teor e possíveis aprimoramentos.
Diante da maneira distorcida com que o assunto se espalhou nas redes sociais, reforçando a ideia de que essa seria a “PEC do Fim dos Pardos”, talvez o maior trabalho dos articuladores da proposta seja cuidar do já conhecido dilema sobre “quem é negro no Brasil”, e não ter que saber de onde tirar ou arrecadar tanto dinheiro a fim para reparar as desigualdades diante dos séculos de escravidão.
A interpretação errônea de que a PEC proporia o “fim dos pardos” s
Fontes
- https://www1.folha.uol.com.br/colunas/reinaldojoselopes/2025/09/jornalismo-de-ciencia-precisa-achar-novas-armas-antinegacionismo.shtml
- https://www.uol.com.br/esporte/futebol/colunas/casagrande/2025/09/27/uma-coisa-e-futebol-outra-e-julgamento-sem-conhecimento-de-causa.htm
- https://economia.uol.com.br/colunas/josette-goulart/2025/09/26/depois-do-escandalo-a-dm9-esta-nas-maos-da-senhora-yuri.htm
- https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/tony-marlon/2025/09/26/democracia-e-musculo-quando-nao-e-exercitada-atrofia.htm
- https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/redacao/2025/09/26/maior-desafio-da-pec-do-fundo-de-reparacao-racial-e-discutir-dilema.htm
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