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Milly Lacombe

Por Publicado Atualizado

Cá estamos, no auge da menopausa, esse continente inexplorado, temido, quimicamente evitado. Caminhando por suas colinas, eu trago notícias. É verdade que o colágeno foi ficando pelos oceanos que até aqui me trouxeram. É verdade que o corpo sente o boleto dos anos em dobras, tendões, ligamentos. Verdade que um cansaço que parece preguiça bate em quem pode se dar ao luxo de senti-los. Mas a troca com o que se ganha é justíssima. E o que se ganha?
Paz de espírito. Virar bruxa é percorrer uma terra prometida que parecia inalcançável. Minhas amigas mais jovens me trazem problemas que, vendo daqui, já não soam mais como problemas. Envelhecer é tranquilizar. Envelhecer é encarar a finitude e pensar: faz sentido que uma hora termine. E, com essa percepção, a paz se instaura. A paz deixa de ser um

Com a indignação do costume, verifico que o universo volta a conspirar para que eu me sinta velho. à um fenômeno recorrente: o mundo esfrega-me na cara que as coisas se limitaram a não mudar desde que eu nasci.
Elas mudaram de forma ridiculamente radical. O que faz com que eu não seja apenas de outro tempo: na verdade, eu sou de outro planeta.
O mais recente desaforo consiste no seguinte: ao que parece, a internet está cheia de jovens gurus de um novo conceito de masculinidade, que estipula que ser homem implica rejeitar a masturbação e praticar a abstinência sexual total, para reter a maior quantidade possÃvel de sêmen no organismo.
Ora, nenhuma destas teorias de 2025 é nova para mim, uma vez que em 1980 frequentei um colégio de irmãs vicentinas que se dedicaram a receitar-me

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