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Ruy Castro

Por Publicado Atualizado

Semana passada, numa roda de amigos, pronunciei uma frase que nunca pensei dizer: “A coisa mais estúpida que fiz na vida foi fumar”. E só então me dei conta de que estava diante de meus três ou quatro únicos amigos ainda fumantes. Temi tê-los magoado. Eram pessoas com quem, no passado, eu havia fumado. E, de repente, essa contundente declaração de culpa podia dar a entender que, sem querer, eu os estava chamando de estúpidos. Mudei de assunto rapidinho.
Fumei com tranquilidade durante 37 anos, dos 19 aos 56, e parei em janeiro de 2005. O motivo foi um câncer na garganta. A intenção de parar, assim que ouvi o diagnóstico do dr. Jacob Kligerman, foi um simples exercÃcio da razão âpor que continuar usando algo que me fazia mal? Mas será que conseguiria? Talvez. Por ter também

Fui iniciado no mundo de Machado de Assis ainda menino. Ou quase. Tinha 14 anos e uma insônia resistente que velava meu corpo noites inteiras. Para maior sossego de minha inquietação, eu lia. A leitura, neste caso, era refúgio e guarida de proteção.
Morto meu pai, no ano de 1969, os livros que foram dele, como a velha coleção das “Obras Completas de Machado de Assis”, publicadas pela W. M. Jackosn Inc. Editores, de 1955, passaram a me pertencer.
Os livros foram bem consumidos, à semelhança das cocadas de minha avó Maria Fernandes, que, na época de moleque, eu devorava com sabedoria e gosto. As noites passadas em claro, sem qualquer presunção de remoço ou cansaço, foram preenchidas lendo poesias, crônicas, contos, romances e as intrincadas fabulações machadianas.
O tempo p

Enquanto os caros leitores atacam uma eventual ceia de peru âapelidado, na minha famÃlia, de chuchu animalâ vamos recordar como o ano de 2025 cimentou o domÃnio dos chuchus humanos? Sensaborões e esquisitos, os “broligarcas” reinam supremos.
A “broligarquia”, para quem passou o ano distraÃdo, é a influência desproporcional de bilionários tech sobre a economia, os mecanismos de governo e a vida dos cidadãos. Compra influência, destrói proteções à privacidade, manipula nosso acesso a informações e tem mais alergia à concorrência econômica do que um militante da Libelu nos anos 1980.
à um cabal que, como LuÃs 15, não disfarça a convicção de que “o Estado somos a meia dúzia de nós”. Mas esse estatismo despreza a soberania de Estados quando eles tentam regular suas atividades

Então é Natal, e eu me pergunto o que realmente fizemos. Se o menino Jesus, nascido num canto esquecido do mundo viesse ao Brasil de hoje, com pele escura, famÃlia trabalhadora, vida de periferia, ele (o rebento) estaria sentado numa carteira de escola pública tentando aprender a ler o mundo enquanto tenta sobreviver ao medo. Cresceria entre filas, sirenes, ônibus lotados e olhares desconfiados. E ainda assim, como sempre acontece com nossas crianças, carregaria uma inteligência viva, insistente, que tenta florescer mesmo quando o solo é árido.
Os dados mais recentes do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais AnÃsio Teixeira) sobre aprendizagem mostram que apenas 2,7% dos estudantes pretos, pardos e indÃgenas alcançam aprendizagem adequada em português e apen

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